imagem que representa a logomarca do Dr. André Ferrari
imagem que representa um ícone de relógio HORÁRIO DE ATENDIMENTO
Segunda a sexta: das 8h às 18h

Crioablação em Tumores Ósseos: Uma Inovação na Ortopedia Oncológica

Postado em: 22/03/2024

A Crioablação em Tumores Ósseos, também conhecida como crioterapia ou criocirurgia, é uma técnica minimamente invasiva que utiliza temperaturas extremamente baixas para destruir tecido patológico. Embora sua aplicação na medicina moderna pareça futurista, suas raízes remontam ao século XIX, quando foi inicialmente explorada para tratar lesões cutâneas. 

Desde então, essa terapia evoluiu significativamente, expandindo-se para o tratamento de vários órgãos, incluindo próstata, fígado, rins e, mais recentemente, ossos.

A Evolução da Crioablação em Tumores Ósseos

Historicamente, a crioablação começou com o uso de compostos como o nitrogênio líquido para tratar lesões dermatológicas benignas e malignas. Com o avanço tecnológico, os dispositivos de crioablação tornaram-se mais sofisticados, permitindo um controle preciso da zona de ablação, minimizando os danos aos tecidos circundantes saudáveis. 

Essa precisão foi um salto que pavimentou o caminho para aplicações em órgãos internos, onde a precisão é crucial para evitar complicações. 

Como Funciona a Crioablação em Tumores Ósseos?

A crioablação é realizada utilizando sondas especiais, guiadas por técnicas de imagem, que são inseridas diretamente no tumor. Uma vez posicionadas, as sondas emitem gases extremamente frios, como o argônio, para resfriar rapidamente o tecido alvo a temperaturas extremamente baixas (até -150 graus Célcius). 

Este processo de resfriamento extremo é mantido por um período que pode variar de alguns segundos a vários minutos, dependendo do tamanho e da localização do tumor, mas tipicamente dura cerca de 2 a 3 minutos (podendo alcançar até 10 minutos para tumores maiores) para cada ciclo de congelamento. 

O congelamento provoca a formação de cristais de gelo intracelulares, que rompem as membranas das células, levando à morte celular. Após o primeiro ciclo, é realizado um intervalo de descongelamento antes de prosseguir com o segundo. 

Essa repetição garante a ablação completa do tumor enquanto minimiza o risco para os tecidos circundantes.

A Crioablação na Ortopedia Oncológica

Na ortopedia, a “Crioablação em Tumores Ósseos” encontrou um terreno fértil para o tratamento de tumores benignos e alguns tipos de tumores malignos, onde opções de tratamento menos invasivas são preferíveis. Ela é particularmente eficaz em tumores como osteoma osteóide, osteoblastomas, tumores de células gigantes (TCG) e metástases ósseas resultantes de carcinomas, como hepatocarcinoma, câncer de pulmão ou de mama. 

Este tratamento é valorizado por proporcionar alívio da dor e preservação da função, com um período de recuperação significativamente reduzido em comparação com as abordagens cirúrgicas convencionais.

Imagens Ilustrativas

1. Preparação do Procedimento:

Preparação do Procedimento
Equipe médica preparando o ambiente operatório para a crioablação.

2. Monitoramento do Procedimento

Monitoramento do Procedimento
Monitoramento em tempo real da crioablação, guiando a sonda com precisão para o tratamento efetivo do tumor.

3. Foco no Equipamento

Foco no Equipamento
Equipamento de crioablação de última geração, com controles digitais precisos para tratamento seguro e eficaz.

4. Execução do Procedimento: 

    Execução do Procedimento
    Cirurgiões realizando a crioablação, um procedimento minimamente invasivo que exige foco e precisão.

    5. Imagem Radiológica:

    Imagem Radiológica
    Imagem tomográfica de crioablação em ação, com a sonda posicionada e área de congelamento do tumor acetabular evidente.

    Caso Clínico: Crioablação em Schwannoma Intraósseo Sacral

    Um jovem de 22 anos procurou atendimento por sentir dor na região posterior do quadril, que irradiava para o membro inferior direito. Exames de imagem, incluindo tomografia e ressonância magnética, revelaram um expressivo tumor lítico na asa sacral direita, ultrapassando a articulação sacro-ilíaca e estendendo-se para a porção posterior do osso ilíaco.

    Diagnóstico e Desafio Clínico

    Uma biópsia percutânea, orientada por tomografia computadorizada, identificou o tumor como um schwannoma intraósseo, uma condição notavelmente rara e benigna. A localização do tumor representava um desafio significativo devido ao risco de sequelas neurológicas associadas a procedimentos cirúrgicos na área, agravadas pela proximidade com o plexo lombo-sacral e os forames de S1 e S2.

    Opções de Tratamento

    As opções cirúrgicas tradicionais incluíam sacrectomia, com risco de instabilidade mecânica e déficit neurológico, e ressecção intralesional, que carregava o risco de deixar tumor residual e potencial dano ao plexo sacral.

    Decisão pelo Tratamento com Crioablação em Tumores Ósseos

    Decidiu-se pela crioablação como alternativa para maximizar a erradicação do tumor enquanto minimizava o risco para o paciente. O procedimento foi planejado com proteção das raízes sacrais por meio de irrigação contínua de soro fisiológico em temperatura ambiente, administrada através de agulhas inseridas nos forames sacrais.

    Procedimento

    Foram realizadas duas aplicações de crioablação, cada uma com dois ciclos de 8 minutos a -150°C, com intervalos de descongelamento de 5 minutos, cobrindo totalmente a área do tumor.

    Resultado do Procedimento

    Imediatamente após o procedimento, o paciente já em recuperação pós-anestésica, não apresentava déficits neurológicos, seja sensorial ou motor, e relatou a ausência de dor, indicando o sucesso do tratamento.

    Imagens Ilustrativas do Caso Clínico

    1. Imagem tomográfica do tumor na asa sacral direita.
    Imagem tomográfica do tumor na asa sacral direita
    Corte axial da tomografia computadorizada, destacando o tumor lítico que compromete a asa sacral e o ilíaco direito.
    1. Ilustração didática de uma sacrectomia. 
    Ilustração didática de uma sacrectomia
    A sacrectomia pode ser total ou parcial. Na figura, em azul, uma hemi-sacrectomia direita; em vermelho, uma hemi-sacrectomia esquerda.
    1. Biópsia guiada por tomografia computadorizada.
    Biópsia guiada por tomografia computadorizada
    A biópsia guiada por tomografia permite maior precisão para obtenção de amostras do tumor que serão examinadas pelo patologista, ao mesmo tempo que provoca o mínimo possível de lesão aos tecidos adjacentes. O paciente pode ter alta para casa no mesmo dia.
    1. Imagem da proteção das raízes sacrais durante o procedimento.
    Imagem da proteção das raízes sacrais durante o procedimento
    Uma agulha foi cuidadosamente locada no interior do forame de S1 e outra no forame de S2, para irrigação contínua de SF em temperatura ambiente, protegendo assim essas raízes do efeito da crioablação.

    A Crioablação em Tumores Ósseos é uma modalidade promissora, que se pretende se desenvolver ainda mais. Esse é o assunto interessante quando falamos em avanços na Oncologia Ortopédica.

    Esperamos que tenha gostado do conteúdo. Para ter informações sobre o trabalho do Dr. André Ferrari, você pode entrar em contato pelo WhatsApp!

    Leia também 

    Oncologia Ortopédica: Como a medicina personalizada está sendo aplicada no tratamento do câncer nos ossos

    Como os exames de imagem, como a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a cintilografia óssea, podem ser utilizados para detectar Câncer nos Ossos?

    Este post foi útil?

    Clique nas estrelas

    Média / 5. Votos

    Seja o primeiro a avaliar este post.


    imagem que representa a logomarca do whatsapp